terça-feira, 27 de julho de 2010

das odes do professor pseudo-literata- I- desejo

um professor que quebrava o giz.
comia-os, cacos, farelos.
olhando-me, enaltecido, pensava em se matar.
nunca encontrara outro aluno, romanticamente problemático para matar seu tempo ocioso.
não encontrou Deus nas partidas inconstantes de dama.
sentado ao sol, sozinho e seco.
pregava a palavra com maestria como quem coloca sal na massa do pão.
e dobra, dobram os segundo e permanece o olhar intacto.
às vezes, quando os passos consumiam o piso
refletia algumas pornografias sem harmonia
um riso soluçante e morno
ah fora de hora.
e pensava em suicídio
rangia os dentes de raiva e tédio
nunca encontrou, antes, alguém que o encarasse com uma beleza contrária
permaneceu inerte até o último dia e depois sumiu.
não apareceu para o culto
esqueceu a colação de grau
se trancou num quarto laranja, fosco
e chorou com saudades d'uma senhorinha qualquer
diabos daqueles olhos
nunca encontrou outra aluno que o fez gozar
no silêncio da lítera
da palavra "velhacaria"!

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